Violência Urbana

ImagemA violência urbana não é um fenómeno voluntário e isolado, mas sim resultado de uma sociedade caracterizada pela desigualdade e a exclusão e por certa falta de controlo institucional e social. As respostas dos sectores, tais como a justiça, são muitas vezes caracterizadas sobretudo pelas forças policiais, o aparelho judiciário e os serviços penitenciários como os principais actores de intervenção na matéria da prevenção e resposta ao fenómeno da violência urbana e garantia de acesso facilitado aos serviços sociais de base como direito de cidadania.

Essa situação pode gerar um ambiente de intolerância, sobretudo da parte dos mais vulneráveis provocando reacções violentas no ambiente urbano, mudando definitivamente as formas de convivência, comportamentos e atitudes nas cidades.

O próprio conceito urbano, dá asas a esta fragmentação social. A própria cidade é considerada como espaço capaz de gerar por si mesmo a violência, pois a sua dimensão, densidade e diferença da sua população, influenciam a prática de actos delituosos, pois determinam as formas de controlo social e consequentemente as oportunidades para a execução de crimes. na medida em que quanto maior o número de pessoas, maior a frequência de contactos entre desconhecidos e maiores oportunidades se geram para a prática de furtos, roubos e agressões, segundo Alina Esteves.

Este fenómeno que tornou algo crescente em Cabo Verde não deve ser dissociado às novas formas de sociabilidade surgida com a modernização do mundo. O que na verdade Durkheim já tinha falado, que as sociedades europeias estavam a deparar com uma dissolução das formas tradicionais de controlo social. Surge um outro tipo de sociedade, a orgânica divido a industrialização e a crescente divisão do trabalho social, na qual deu origem a seres mais individualistas e competitivos. E o risco que se corre de a sociedade tornar anómica impõe a necessidade de criação de instituições que possam reprimir e disciplinar os que tentarem transgredir a norma.

Sabendo que este é um funcionalista, e esta perspectiva defende que, se um aspecto de vida social não contribui para a estabilidade ou sobrevivência da sociedade, se não funciona como uma função útil, não será passada de uma geração para outra, a marginalidade é característica da vertente criminalista, é vista como uma das formas diferentes classificadas com critérios algo confusos e rotulada consequentemente por ruptura de normas. Essa perspectiva vê a marginalidade como causadora da instabilidade social, visto que, pode ser considerado um elemento que pode perturbar o sistema social, conduz a comportamentos desviantes, os quais constituem grandes preocupações.

Numa posição contrária, esses marginais urbanos vistos como criminosos pelo Estado, encontram-se impossibilitados de integração na sociedade urbana, são excluídos por serem considerados perturbadores da ordem institucional. Por isso, formam grupos que habitam em bairros considerados perigosos.

Partindo do princípio que é de facto a violência urbana, segundo essa perspectiva o perigo imposto pelos roubos ameaça a segurança da sociedade, acabam por exigir mais vigilância dos guardas e das outras autoridades.

Este sentimento de medo e insegurança vivenciada por todos, tende a desfigurar os centros urbanos, este é de facto a realidade dos principais centros urbanos do mundo, por isso Cabo Verde não foge a regra, por ser mais uma dos pequenos países do mundo, ela também vivencia esse fenômeno em todas as suas pequenas ilhas.

Por isso, a influência da família, é apontada como elemento chave para todo esse fenômeno.  O comportamento e ambiente familiares exercem grandes influências na maneira de ser do indivíduo e podem determinar o seu comportamento.

Sem se esquecer que ao falar da marginalidade, os considerados marginais são sempre os mais jovens. Devido a sua vulnerabilidade, os assaltos socializantes a que estão sujeitos e as distinções sociais, construídas e reconhecidas por eles, contribuem de uma forma compartilhada para os conflitos interpessoais de valores empiricamente constituídos pela sociedade. São mais vulneráveis então aos factores de risco, e sujeito a inúmeras influências. E principalmente os mais pobres, isto quer dizer que, a pobreza é também considerada uma factor determinante da violência.

Não interesse do Estado às questões sociais como factor determinante da violência urbana.

Analisando o tema numa outra óptica, não que a forma de perceber esse fenómeno analisada anteriormente, tomada os mais jovens e ambiente familiar vivenciado por estes está errada, mas associar a violência urbana, somente à delinquência ou marginalidade juvenil é avaliar o fenómeno, numa perspectiva unidimensional e torná-lo mais leve, solto e menos capaz de progredir, em termos causais e correlacionais. Pois, as formas como são implementadas as políticas públicas pelo estado é de capital importância, uma vez que, políticas públicas desajustadas também causam a violência urbana. A preocupação da política de um país só preocupa em tomar a chefia e as providências sociais são como sempre esquecidas a partir do momento em que se toma o poder.

As preocupações do estado passam a ser de carácter partidário, conflito entre seus opositores, longe das preocupações sociais. Por tudo isso, arranjam sempre desculpas para fenómenos desta natureza, ao envés de tentar compreender a preocupação dos jovens no seu interior, pensam que a forma de prevenir dos problemas sociais é colocá-los na prisão. O que muitas vezes podem ter outra forma de resolver. Jovens assaltam, roubam muitas vezes para despertar atenção das autoridades e fazer com que estes levem em conta suas existências. só que de forma ilegal. Se por acaso, os cargos passarem a ser atribuídos aos competentes, e não aos conhecidos, ou seja, combater da melhor forma o desemprego principalmente, e que respondessem às questões sociais, a sociedade seria um pouco deferente.

Portanto, factores como desemprego, a economia paralela, conflitos entre etnias não explicam o fenómeno da marginalidade na sua totalidade e sim levar em conta a má gestão dos recursos humanos pelo Estado, e a repartição desigual dos mesmos sobre os seus verdadeiros donos.

Através disso que temos o crescimento da pobreza por todo lado, os mais pobres tornam cada vez mais pobres e donos das riquezas são os políticos, quem elegemos para nos representar e que de facto são verdadeiros assaltantes. Falam tanto do combate à pobreza e à desigualdade social, de políticas direccionadas a essas causas e tornam cada vez mais ricos e a pobreza só aumenta.

Posto isso, urge repensar a democracia caboverdiana, uma vez que, a verdadeira semântica da democracia não dá margens para esse tipo de atitudes, verifica-se uma deslocalização da semântica da desta,  já que é democracia neste caso representativa, os interesses a serem discutidos são os dos cidadãos e não pessoais.  É essa  verdadeira forma de exclusão pode ser vista, quando os políticos debaterem interesses ideológicos e pessoais e não interesses sociais, os deputados que só falam de problemas pessoais envés de tratar de casos de interesse do povo.

Isso revolta ainda muito mais os cidadãos, e contribui fortemente para que estes cometam delitos e  para chamar a atenção daqueles que elegemos.

Aluna, Jéssica Markline

Fontes

-BARATA, Susana de Almeida. “Violência Urbana”.

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